Divisão de trabalho

A divisão do trabalho consiste na divisão das diferentes tarefas que constituem o processo de produção de um bem ou serviço, que se distribuem por um determinado grupo de pessoas.

Divisão de trabalho

Em outras palavras, a divisão do trabalho, embora tenda a se confundir, está na origem da especialização do trabalho. Consiste na fragmentação das tarefas necessárias à produção de um bem ou serviço, que se distribuem entre uma série de indivíduos, geralmente com base em sua força, capacidade, especialidade ou natureza. Com o tempo, a divisão do trabalho permitiu o aumento da produtividade em determinadas tarefas por meio da especialização, bem como o desenvolvimento das sociedades.

Grandes economistas como Adam Smith ou Karl Marx aprofundaram seus estudos sobre a divisão do trabalho. Esse fenômeno é considerado um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico ao longo da história.

Origem da divisão do trabalho

Ao longo da história, as sociedades agrárias foram exclusivamente dedicadas à agricultura. Diante do surgimento de necessidades como o comércio, o artesanato ou a criação de um sistema militar que garantisse a segurança dos indivíduos, surge a divisão do trabalho. Para isso, é fundamental saber o que significava a produção excedente. Quando o desenvolvimento técnico das tarefas produzia um aumento da produtividade e, com ele, um excedente de produção, o restante dos indivíduos poderia se dedicar a outras tarefas como a guerra ou o artesanato, sem ter que se dedicar à agricultura para poder alimentam-se.

O excedente de produção permitiu que várias pessoas continuassem se alimentando, apesar de se dedicarem a outras tarefas como a guerra. É assim que surge a divisão do trabalho, permitindo que as sociedades se organizem de forma mais plural, bem como em inúmeras funções e profissões muito diferentes umas das outras. Porém, nos primórdios da sociedade, a divisão do trabalho estava diretamente relacionada ao excedente de produção, pois este marcava a capacidade da divisão a partir da quantidade de pessoas que poderiam se abastecer com o excedente.

A divisão do trabalho de acordo com Adam Smith e Karl Marx

A divisão do trabalho foi objeto de estudo de grandes economistas ao longo da história. Pela relevância de alguns, os mais proeminentes foram Adam Smith e Karl Marx.

Adam Smith

Para Adam Smith, a divisão do trabalho foi uma das principais causas para as nações aumentarem sua riqueza. Segundo o economista escocês e pai da escola clássica, a divisão do trabalho permitia grandes aumentos de produtividade, uma vez que o trabalhador não necessitava da troca constante de utensílios no processo de fabricação. Pelo fato de realizar apenas uma tarefa no processo de produção. Isso, para Smith, permitia aos produtores economizar capital, uma vez que um trabalhador não precisava ter todas as ferramentas para fazer um bem ou serviço, mas aquelas de que precisava para cumprir sua tarefa dentro do processo de produção.

Desse modo, Smith considerou que, com a divisão do trabalho, o trabalhador foi se especializando cada vez mais em sua função. Isso permitiu que, ao ganhar experiência em determinadas tarefas, estas fossem aperfeiçoadas ao longo do tempo. Por sua vez, esse fenômeno favoreceu o desenvolvimento técnico das tarefas. Isso aconteceu porque os trabalhadores especializados adquiriram cada vez mais conhecimento sobre a tarefa, permitindo-lhes o desenvolvimento de novas ferramentas e técnicas. Fenômeno que lhe permitiu desenvolver a tarefa de forma mais eficiente e mecanizada.

Por outro lado, Adam Smith destacou vários fatores negativos originados da divisão do trabalho. Entre eles, a divisão, por sua vez, de salários. Smith considerou que a divisão do trabalho, dependendo da tarefa desenvolvida, produzia diferenças salariais entre os diferentes indivíduos, em função das características da tarefa a ser desenvolvida. Por outro lado, Smith também considerou a deterioração do avanço do conhecimento, ao desenvolver tarefas altamente mecanizadas e monótonas. Para isso, Smith considerou que a divisão do trabalho deveria ser compensada com um incentivo à educação, para mitigar essa deterioração.

Karl Marx

Por outro lado, embora na linha de Smith, Marx argumentou sobre os possíveis problemas de especialização, visto que considerava que, com o tempo, a monotonia de realizar tarefas repetitivas acabava frustrando os trabalhadores. Por sua vez, Marx assumiu que, em um cenário onde as tarefas eram cada vez mais repetitivas, o trabalhador necessita de menos conhecimento para o desenvolvimento de seu trabalho. Isso, para Marx, resulta em uma menor qualificação futura dos empregados, que precisam de menos conhecimento do que precisariam se tivessem que realizar toda a tarefa produtiva.

Nas suas aplicações teóricas, para Marx, e no que se refere à sua teoria da luta de classes, considerou que, por vezes, a divisão do trabalho decorria de uma relação de dependência por questões de hierarquias, estabelecendo assim o controlo social. Além disso, para Marx, a divisão do trabalho se expressava de forma mais natural e mais desenvolvida dentro de um sistema comunista, uma vez que não estabelecia tais princípios hierárquicos.

Como podemos ver, a visão de Marx estava intimamente relacionada com Adam Smith. Ambas as concepções tiveram características comuns nos efeitos sobre o indivíduo, diferindo na estrutura social que esse fenômeno produziu.

Vantagens e desvantagens da divisão do trabalho

As vantagens da divisão do trabalho incluem:

  • A produtividade aumenta.
  • Maior qualidade no produto ou serviço.
  • Custos de produção mais baixos.
  • Facilidade de desenvolvimento tecnológico.
  • Melhoria da qualidade de vida do trabalhador.

Por outro lado, as desvantagens da divisão do trabalho que podemos destacar são:

  • Monotonia da vida do trabalhador.
  • Frustração pela repetição contínua de tarefas.
  • Menos conhecimento técnico.
  • Maior dependência do empregador.
  • Destruição do espírito criativo